Cracolândia, 2022. Pigmento mineral sobre papel. 135 × 200 cm
Três reproduções de uma cena urbana na Cracolândia, em São Paulo, mostram, gradualmente, a perda de cor. No centro da imagem, bichos de pelúcia estão suspensos por cadarços, pendendo de fios de eletricidade — figuras infantis que evocam, de forma simbólica, o estado da vida naquele espaço: crianças em suspensão. À medida que a sequência progride, as pelúcias desbotam, assim como o resto da imagem, sugerindo um processo de invisibilização das populações marginalizadas pela sociedade. A obra funciona como um lembrete breve, porém contundente, do descaso e da ineficácia dos poderes públicos diante do agravamento de questões urgentes de saúde pública.